PROGRAMA ELEITORAL PARA O TRIÉNIO
2010/2013
“Associativismo, Autonomia e
Qualidade”
O ciclo político que se inicia mostra-se
cheio de incerteza e está profundamente
marcado pela crise financeira global e pelo
défice público português.
No sector da educação, a legislatura
anterior ficou marcada pela defesa pelo
Governo da escola pública; pela promoção das
escolas do Estado. O Governo distribuiu
massivamente equipamento tecnológico e
iniciou obras de remodelação num grande
número de escolas estatais. Reconhecendo a
qualidade do privado, o Governo tentou
colocar nas escolas estatais algumas das
nossas boas práticas. Foi iniciado um
esforço de racionalização dos recursos
públicos que teve como consequência uma
forte contestação dos professores.
Na actual legislatura, com um governo
minoritário, o sector estatal está
pacificado, vão ser inauguradas as novas
instalações escolares e determinados grupos
de interesse voltaram em força a assumir a
defesa da escola estatal (que dizem pública)
com a manutenção dos privilégios e do
monopólio do Estado na educação.
Neste contexto, entendemos que a afirmação
do Ensino Particular Social e Cooperativo
passa pela afirmação da sua diferença e do
valor acrescentado que as suas propostas
trazem aos portugueses.
A defesa da liberdade de opção educativa, a
liberdade de aprender e ensinar, a defesa
dos interesses dos alunos, encarregados de
educação e entidades instituidoras, junto do
governo e restantes parceiros sociais, passa
pela coesão associativa, pela
afirmação da autonomia dos nossos
projectos e pela criação de uma dinâmica de
qualidade que nos colocará acima dos
fortes ataques de que vamos ser alvo por
parte dos que pretendem a estatização da
educação e o monopólio do estado educador.
Acreditamos que a promoção do
desenvolvimento sustentado do país e o
aumento da coesão social implicam um sistema
educativo nacional de qualidade fundamentado
na liberdade individual e na
responsabilidade colectiva.
Um sistema educativo plural, onde as
diferentes entidades instituidoras
acreditadas possam, em liberdade, exercer o
seu direito de ensinar segundo a sua visão,
missão e valores em igualdade de
oportunidades.
A autonomia das escolas é indispensável para
a construção dos seus projectos educativos.
A diversidade de projectos é fundamental
para as escolas responderem positivamente às
comunidades educativas em que se inserem.
A tendência uniformizadora do ensino em
Portugal limita a autonomia das escolas, não
estimula a qualidade, não propicia a
inovação, condiciona a liberdade dos
cidadãos e não resolve de forma positiva a
igualdade de oportunidades.
Todos os cidadãos devem ter igualdade de
oportunidades no acesso à educação. Todas as
famílias têm o direito de, sem aumento de
custos, escolher a escola que consideram com
melhores condições para as ajudar na
educação dos seus filhos.
Igualdade de oportunidades não implica nem é
compatível com a existência de um único
modelo de Escola, um único currículo, um
único proprietário, com um Estado Educador.
Neste contexto, apresentamos para o triénio
2010/2013 o seguinte plano estratégico e
programa de acção:
1 – ASSOCIATIVISMO
Primado dos Cidadãos e Supletividade do
Estado.
As iniciativas dos cidadãos, tendentes à
superação das carências educativas das
respectivas comunidades, desde que legítimas
e justificadas, devem ser prontamente
apoiadas pelo estado.
1. 1. – Propomos que se optimizem os
recursos existentes. Que, na expansão da
rede de serviço público de educação, sejam
consideradas todas as entidades acreditadas
no Sistema Educativo Nacional.
1.1.1– Propomo-nos realizar um grande encontro de Ensino Particular
Social e Cooperativo, porventura na
modalidade de Congresso nacional ou
internacional, que mostre a força,
implantação e serviço público do EPC.
1.1.2 – Retomaremos a realização do Fórum para divulgação e mostra de
boas práticas educativas.
1.1.3 – Dinamizaremos encontros para Directores e Proprietários de
escolas, promovendo uma rede de
intercooperação associativa.
1.1.4 – Incentivaremos o diálogo tendente à estruturação e coesão
associativa do ensino não estatal.
1.1.5 – Daremos especial atenção à participação da AEEP nas organizações
internacionais, com especial incidência no
relacionamento Ibérico e Europeu.
1.1.6 – A AEEP como parceiro social privilegiará a diplomacia de
influência e a concertação Social. Mas será
intransigente na defesa dos seus associados
e da sua visão para o Ensino Particular
Social e Cooperativo em Portugal. Ao nível
do CCT, defenderemos a adaptação da lógica
da carreira docente existente, garantindo
condições de sustentabilidade das
instituições.
Defenderemos a justiça Social tendo sempre
presente que para existir emprego estável e
ambiente de trabalho aprazível é necessário
que as escolas sejam empresas viáveis e
consolidadas.
2 – AUTONOMIA
2. 1 – Autonomia Curricular,
Administrativa e Pedagógica
A autonomia curricular, administrativa e
pedagógica é indispensável na construção dos
projectos educativos.
A liberdade educativa pressupõe a liberdade
de projecto, o que implica a possibilidade
de cada escola, respeitando um currículo
mínimo nacional, oferecer um projecto
educativo com o currículo que melhor se
adapta às necessidades da comunidade que
serve.
2.1.1 – Propomos que seja consensualizado e definido um currículo mínimo
nacional obrigatório, deixando espaço para
cada escola oferecer o que com a sua
comunidade entender como mais adequado.
2.2 – Liberdade de Opção Educativa –
adesão livre à escola da sua escolha.
Ao Estado incumbe criar condições que
possibilitem o acesso de todos à educação e
à cultura e que permitam igualdade de
oportunidades no exercício da livre escolha
entre pluralidade de opções, de vias
educativas e de condições de ensino.
O Estado Português reconhece aos pais a
prioridade na escolha do processo educativo
e de ensino para os seus filhos (Lei n.º
9/79 de 19 de Março).
A liberdade de opção educativa só é possível
num sistema educativo plural onde participam
diferentes entidades instituidoras que, com
liberdade de projecto educativo, apresentem
opções educativas diferentes.
Sem gratuitidade não há verdadeira liberdade
de escolha nem igualdade de oportunidades.
As famílias carenciadas ficam limitadas na
sua opção educativa.
2.2.1 – Propomos que seja implementado apoio a todas as famílias na
educação dos seus filhos e apoio acrescido
às famílias carenciadas. Propomos Ensino
Obrigatório Curricular gratuito qualquer que
seja a opção educativa, desde que a
instituição escolhida esteja reconhecida e
acreditada no sistema Educativo Nacional.
2.2.2 – Defenderemos activamente o aumento dos contratos simples, de
desenvolvimento e de patrocínio e a
estabilização dos contratos de associação.
2.2.3 – Trabalharemos para que o Estado reconheça efectivamente a
utilidade pública dos estabelecimentos de
ensino, dando-lhes o apoio a que tem direito
como participantes na rede educativa
nacional.
2.2.4 – Pugnaremos para que o Estado cumpra a lei, respeite os
compromissos assumidos, os direitos
adquiridos e as expectativas criadas.
2.3 – Ensino Especial
Um ensino de qualidade e adequado às
necessidades específicas de cada aluno,
implica a existência de ofertas
especializadas para os alunos com
necessidades educativas especiais. Não se
trata de discutir o conceito de inclusão mas
de reconhecer que há alunos que necessitam
de apoio específico, prestado por
profissionais específicos, em contextos
específicos, que não são os de cada escola
regular, onde a mera integração pode
transformar-se em forte descriminação.
2.3.1 – Propomos o reforço da rede de escolas de ensino especial como
alternativa necessária para aqueles alunos
que não encontram no ensino regular a
resposta às suas necessidades específicas.
2.4 – Ensino Vocacional Artístico
O ensino vocacional é uma componente
essencial de um sistema educativo moderno. A
experiência do ensino vocacional da música e
da dança em estabelecimentos de ensino
particular tem demonstrado, ao longo dos
anos, a capacidade de, simultaneamente,
formar profissionais de excelência e
públicos exigentes.
2.4.1 – Propomos que se criem condições que estimulem o surgimento de
novas ofertas de ensino vocacional e o
desenvolvimento das existentes, no sentido
de sedimentação de uma verdadeira rede de
escolas vocacionais.
3 - QUALIDADE
Um estudo recente sobre a imagem do EPC
mostra que 94% dos inquiridos consideram o
desempenho da escola, na trilogia da
qualidade de ensino, segurança e resultados,
conjugada com a comodidade dos pais,
proximidade de casa e horários, como os
principais motivos na escolha da Escola.
O domínio do Estado na educação, limitativo
da autonomia das escolas, conjugado com
algum conformismo e acomodação das entidades
instituidoras, reduziram e diluíram a
afirmação dos diferentes projectos
educativos.
A pouca visibilidade dos projectos
educativos ditou o inevitável
desconhecimento da maioria da população e
fez com que a opinião pública valorize na
escolha da escola o melhor do mesmo e ignore
a riqueza da diferença.
Consideramos que este é o principal problema
do EPC em Portugal. Existe o perigo de
nivelar e uniformizar todo o ensino em
Portugal.
A Direcção da AEEP coloca este problema no
centro da sua acção.
Pretendemos que o EPC, para além da
segurança que os pais lhe reconhecem, se
destaque e se distancie, assumindo a
vanguarda da inovação e da qualidade com
diversidade de projectos. Temos que ser
reconhecidos por fazer diferente, mais e
melhor.
3.1 – Para atacar este objectivo daremos
especial atenção à implementação do Centro
de Formação da AEEP.
3.2 – Dinamizaremos acções de formação para
professores nas diferentes zonas do país,
respondendo às solicitações e necessidades
de formação dos associados.
3.3 – Continuaremos e intensificaremos a
realização de acções de formação para
administrativos, técnicos e assessores,
conforme for julgado oportuno pelos
Colégios.
3.4 – Apresentaremos uma proposta de
mecanismo de avaliação externa das escolas
do EPC independente do Estado.
Senhores Associados:
O domínio do estado na educação e a pouca
visibilidade dos projectos educativos, tem
levado a opinião pública a ignorar a riqueza
da diferença.
A afirmação dos diferentes projectos
educativos, a criatividade, inovação,
qualidade e estabilidade, fazem do ensino
privado uma referência de vanguarda
educativa.
Contamos consigo para subscrever e apoiar
estas medidas para bem da educação em
Portugal.
João Alvarenga